Nawfed Pwer

"Nós somos a totalidade nove vezes."

Olwyn Blwyddyn: A Roda do Ano

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“O ano celta não tem começo nem fim. Ele segue o ritmo da natureza em seu ciclo contínuo. As marcações no calendário são apenas as mudanças mais evidentes na natureza. A cada nova estação, ocorre uma festividade que celebra seu significado para a agricultura. Durante essas festividades, as fronteiras entre o mundo material e sobrenatural desaparecem, e as entidades espirituais do Outro Mundo rompem o véu que os separa do reino dos vivos.”

(Juliette Wood, 2011)

O início…

Os povos celtas do mundo clássico não possuíam uma Roda do Ano como nós concebemos na atualidade, embora organizassem o tempo de maneira particular e singular a sua realidade ligada aos modos de sobrevivência, subsistência e ciclos agrícolas e pastoris. Como nos diz Philip Carr-Gomm, “somos somente nós, modernos, que separamos os ciclos da vida de uma maneira analítica”, aspecto que entende como importante para o retorno à reverência e contemplação do tempo e do lugar, tão importantes para os celtas e para nós druidas modernos.

Em uma definição resumida, Roda do Ano é uma invenção contemporânea do Paganismo Moderno. Um mecanismo baseado em costumes e hábitos de povos tradicionais, que utilizavam um calendário agrícola para marcar momentos importantes da sociedade em relação às manifestações da natureza e do cosmos, uma chave para dar ordem aos ritos sazonais e fazê-los sobreviver no meio urbano.

O Druidismo Moderno reverencia o espírito do tempo estabelecendo uma sincronia entre a nossa vida e ciclo vital da natureza. A necessidade da Roda do Ano reside em religar-nos a contemplação dos ciclos da vida e aceitar a natureza que existe em nós. Isso porque nós estamos conectados a outra realidade e vivência na atualidade: a maioria dos praticantes do Druidismo Moderno vive, como os seus contemporâneos, em aglomerações urbanas, inseridos na dinâmica de uma cultura globalizada, onde marcamos o tempo de forma linear e analítica. Já as populações célticas clássicas estavam em conjunção com o tempo e o lugar, onde seus rituais sagrados eram marcados pela paisagem, pelo ciclo econômico agrícola e pela comunidade tribal. Nesse sentido, a Roda do Ano nos server para revigorar a nossa conexão com a natureza.

Um dos mais famosos calendários relacionados aos celtas é o Calendário de Coligny, encontrado em 1897 na atual França, Ain, na região com o mesmo nome que recebeu o calendário pelos estudiosos. Este sistema de contagem do tempo é datado do final do século I ou II e.c. e pertenceu aos gauleses. Consiste e se divide em 73 placas de bronze, onde se descrevem 12 meses sincronizados pelo Sol, no que diz respeito às quatro estações do ano e pela Lunação, onde os meses iniciam na lua nova e terminavam na lua cheia. Segue um esquema dos meses comparados aos atuais, baseado nos comentários de John Mattews e Condeius Andiligtos:

 

Calendário de Coligny Calendário Comum
Samionos / Samoni Out./Nov.
Dumannios / Duman Nov./Dez.
Riuro / Riuro Dez./Jan.
Anagantios / Anagan Jan./Fev.
Ogronios / Ogron Fev./Mar.
Cutios / Gutios Mar./Abr.
Giamonios / Giamon Abr./Mai.
Samivisionos / Simivis Mai./Jun.
Equos / Equos Jun./Jul.
Elembuios / Elembiv Jul./Ago.
Edrinios / Edrini Ago./Set.
Cantlos / Cantlos Set./Out.

Alguns druidas modernos se utilizam desse sistema, um dos poucos registrados, para construir a sua dinâmica de rituais e liturgias. Um dos grandes desafios em traçar uma roda pessoal está não só nas poucas fontes que possuímos, mas em aliar com a matemática e forma de contagem do tempo do nosso calendário comum. Afinal, boa parte desses calendários são antigos e dados como ultrapassados. O calendário de Coligny, por exemplo, tinha um ciclo do qual no intervalo de 5 anos devia-se colocar um mês adicional, para não atrasar. Contudo, mesmo que alguns aspectos não tenham mais função ou significado, é necessário renomear e desenhar com um novo sentido. As ideias antigas podem ser aprimoradas.

“Um recurso que pode ajudar é desenhar um calendário composto de um círculo divido em doze partes. Escreva os nomes dos meses ao redor do círculo, e preencha as divisões com uma breve descrição do mundo natural enquanto você o observa.”

(John Mattews, 2002)

Hoje, boa parte dos druidas e pagãos modernos se utilizam do sistema óctuplo, do qual fora introduzido pelos estudos e práticas de Ross Nichols e Gerald Gardner em meados do século XX. Sua composição está disposta como uma roda que gira e é marcada por oito datas específicas, que representam as comemorações druídicas e que influenciaram também a Wicca e outras crenças pagãs modernas. São quatro ritos relacionados aos solstícios e equinócios: Alban Elfed, Alban Arthan, Alban Eilir e Alban Hefin. E mais quatro festivais e jogos tradicionais: Samhain, Imbolc/Oilmec, Beltane e Lughnasadh. Na atualidade, os oito festivais são a base primordial do culto druida e se inserem nas vivências dos diferentes grupos e caminhos druídicos.

Na Irlanda, segundo John Sharkey, o calendário tinha inicio com o festival de Samhain, no dia 1º de Novembro, que permanece até hoje em costumes nas áreas mais tradicionais no ato da limpeza da casa e oferendas alimentícias aos antepassados após as colheitas e nas vésperas do Dia de Todos os Santos. Por isso, muito dos druidas modernos consideram o ritual de Samhain o período de transição, de ano novo. Contudo, na forma epistêmica céltica, o ano estava dividido em duas fases, sem fins ou inícios, onde os dias de transição dessas duas fases do ano eram marcados pelo Samhain e o Beltane. Ambas as datas são consideradas períodos perigosos, onde os véus entre os mundos se abrem e as decisões devem ser tomadas.

O mais importante no processo do desenvolvimento da roda é compreender a questão da Sacralidade Local. Mas do que se trata isso? Os celtas tinham uma profunda ligação com os ciclos naturais, a paisagem e com as forças da natureza que proporcionavam a harmonia para o funcionamento desse mecanismo. Prova disso são os mitos e poesias, que trasbordam em descrições exuberantes e perfeitas do espaço geográfico onde viviam. John Sharkey nos diz que para os celtas os locais eram dotados de espíritos guardiões, que vigiavam seus arredores e podiam tomar formas animais ou humanas. Nesse sentido, a experiência ocular das transformações que ocorriam na paisagem durante o ano eram entendidas como um altar vivo, um observatório do tempo, das mudanças sociais, da relação com os espíritos da natureza e dos processos da vida pessoal.

“(…) através dos anos que a pessoa pratica o druidismo, o círculo torna-se um lugar mágico no qual a circunferência representa a roda das jornadas cotidianas, anuais e da vida inteira – inextrincavelmente atadas ao ciclo diário e anual da Terra, e das oito direções do compasso com seus significados e associações espirituais e psicológicas. No centro fica o ponto imóvel do Ser e do Nada. O espaço inteiro do círculo torna-se a esfera de nosso trabalho interior – uma área sagrada em que, tal como um tapete mágico, podemos viajar para outros estados do ser.”

(Philip Carr-Gomm, 1994)

Além disso, você pode e deve adaptar da melhor forma que conseguir a sua Roda do Ano. E como poderá fazer isso? A primeira coisa que devemos fazer é questionar o que é Estação do Ano. É preciso descontruir nossos conceitos, principalmente daqueles que vivem no Hemisfério Sul, do que é Verão, Primavera, Inverno ou Outono. Muitos de nós aprendemos em casa, na escola e nos ambientes sociais o conceito de Estação do Ano ligada a uma perspectiva nortista/eurocêntrica, o que nos afasta da nossa natureza. Os druidas modernos que rodam pelo Sul precisam questionar esse sistema imagético e simbólico que pode os tornar separados da sua cosmologia local. Inverno não é só neve e Verão não é só calor. Primavera não cheira somente a flores e Outono não cheira a madeira mofada. Desvincular-se dessas construções é o primeiro passo para se abrir para as múltiplas possibilidades da natureza que está a nossa volta.

Uma atividade interessante, após um estudo sobre as estações do ano, sobre os mitos que te inspiram, sobre as tradições célticas de festivais e organização do tempo, é construir uma roda em um papel e colocar todos os pontos que lhe competem. Como estou no verão? E o que acontece na época do outono? Que tipo de centramento pessoal devo trabalhar na lua cheia? Assim, de acordo com nossas perguntas e respostas, conceitos e nomenclaturas, começamos a desenha-la. Quanto mais adentramos nesse universo circular do tempo, mais frutificará nossa percepção de que fazemos parte naturalmente e de que passamos a observar algo que sempre esteve presente em nossa vida. Ou seja, rodar o ano é despertar!

 

Uma proposta…

Olwyn Blwyddyn (pronuncia-se O-LU-IN BLU-I-DIN) significa “Roda do Ano” em galês e é um sistema de calendário ritualístico e litúrgico com nove datas sazonais comemorativas baseadas no Druidismo Moderno, no Nonagrama e na cultura e mitologia céltica principalmente do País de Gales. Vimos que desde o retorno do druidismo enquanto filosofia e crença através de intelectuais interessados na cultura, literatura e história celta, grupos e pessoas se propõe a delimitar um estilo de calendário cíclico de acordo com os antigos rituais sazonais dos povos célticos. Sendo assim, vemos o calendário sazonal druídico moderno como um constructo que mantêm de forma criativa, ricas e diversas tradições.

O calendário sazonal Olwyn Blwyddyn está dividido em nove festivais tradicionais, dos quais são dispostos em quatro rituais relacionados diretamente aos equinócios e solstícios denominados de Alban (Luz), duas datas relacionadas à transição do ano chamadas de Calan (Calendas), mais duas datas ligadas a festividades e jogos com o nome de Gwyl (Festival/Feriado), e a data do ano novo alinhada com o calendário comum que tem sua nomenclatura derivada dos antigos costumes desse período, o Calennig (Presente/Primeiro Dia). Ainda existem algumas outras divisões. A época do ano, definida pela representação dos três mundos: Thro y Ton (Tempo da Onda), Thro y Dylluan (Tempo da Coruja) e Thro y Blodau (Tempo da Flor). E assim, também pela referência dos três mundos e sua influência no período: Môr (Mar), Ddaear (Terra), Awyr (Céu). Nesse sentido, Olwyn Blwyddyn possui nove cerimônias dispostas de forma tripartite.

Os druidas modernos também delimitam o hemisfério do qual pretendem alinhar sua ritualística, se pelo Hemisfério Sul ou pelo Hemisfério Norte, já que a ordem das datas da Olwyn Blwyddyn muda. Algo relevante a se refletir antes de fazer essa decisão é lembrar sobre a sacralidade local e sobre como nossa espiritualidade está ligada as manifestações da natureza na paisagem e nos nossos corpos. Assim, é bem claro que um druida moderno não deve se atrever a ignorar a sua realidade só para seguir algo muito tradicionalista. Não é adequado realizar um ritual de inverno enquanto a natureza está pulsando com o verão. Além disso, alinhar-se aos ciclos naturais dos quais fazem parte da sua identidade local o fará perceber muito melhor o seu interior em confluência com as ondas de transformação. Lembre-se, o druidismo não quer que você fique perdido no tempo-espaço, e sim que você se encontre nele.

“Quando despertamos para o fluxo das estações, podemos alinhar-nos melhor com suas marés, seguindo a corrente, ao invés de lutar contra ela. Quanto mais conscientes do meio ambiente que nos circunda, quanto mais estivermos em contato com os ciclos naturais, mais nos aproximamos de suas subidas e decidas.”

 (Emma Restall Orr, 2002)

Olwyn Blwyddyn

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Calennig

Calennig (pronuncia-se KEL-Ê-NIG) significa em galês “Presente” ou “Primeiro Dia” e sua data de comemoração depende da localização e referência. As comunidades rurais e mais afastadas do País de Gales ainda o comemoram através do calendário juliano, o que seria dia 13 de Janeiro, enquanto outras regiões realizam a tradição em confluência com o dia da véspera do ano no calendário comum. Os costumes dessa época do ano refletem principalmente a transição de ciclo e realizam-se entrega de presentes e votos de boas colheitas no ano vindouro. As Maçãs de Calennig são um dos símbolos mais clássicos dessa festa, consistindo de uma maçã encimada por um ramo verde e apoiada por três gravetos. Crianças levavam suas maçãs de porta em porta e recitavam alguns versos desejando saúde e prosperidade para os moradores, enquanto que esses lhes davam pão e queijo.

Fyd: Môr

Época: Thro y Ton

Correspondência numérica: 1 (UM)

Calendário Nortista e Sulista: 31 de Dezembro à 13 de Janeiro.

Questões foco: Como eu posso mudar? Qual o caminho para me aperfeiçoar? Que caminho me levará mais rapidamente e de forma concisa aos meus objetivos?
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Gwyl y Cynhaeaf

Gwyl y Cynhaeaf (pronuncia-se GU-IL I KIN-AEV) pode ser traduzido como “Festival/Feriado da Colheita”. O mais famoso evento de poesia, cultura e literatura galesa é o Eisteddfod Genedlaethol Cymru (Nacional Eisteddfod de Gales) e ocorre no período da primeira semana de Agosto. Outros festivais relacionados à colheita e ciclos rurais acontecem nesse período, como Calan Oen ou Llamb’s Day e grupos neo-pagãos do norte também denominam essa época de Calan Awst ou Lughnasadh. Consiste em um período de jogos, negócios, poesia e festas relacionadas às colheitas de grãos e a produção de carne e derivados das ovelhas. É muito comum encontrar nesse período as Corn Dollies, bonecas ou ornamentos muito belos feitos de palha e grãos.

Fyd: Awyr

Época: Thro y Dylluan

Correspondência numérica: 2 (DOIS)

Calendário Nortista: 01 de Agosto

Calendário Sulista: 01 de Fevereiro

Questões foco: Em que posso me doar? No que posso eu ser necessário ao mundo? Quais são meus deveres e trabalhos a cumprir?
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Alban Elfed

Nos dias próximos ao Equinócio de Outono, comemora-se Alban Elfed (pronuncia-se AL-BAN EL-VED), traduzido do galês por “Luz da Água”. Tradicionalmente, os celtas não possuíam um ritual ou costume que marcasse tão claramente esse período, embora perdurassem as festividades rurais da colheita com casamentos, negociações e jogos. A nomenclatura que é largamente utilizada pelos druidas modernos foi proposta por Iolo Morganwg, no século XVIII. No País de Gales ocorre nas proximidades do Calan Hydref, como também festivais tradicionais como o Wales Autumn Food Festival e a Cardiff Country Fair. Muitos praticantes ligam essa data ao mito presente no Mabionogion e nos contos arturianos, onde aparece um personagem chamado Mabon ap Modron que ajuda Culhwch (um Hércules celta) em suas tarefas para conquistar a jovem e bela Olwen.

Fyd: Awyr

Época: Thro y Dylluan

Correspondência numérica: 3 (TRÊS)

Calendário Nortista: 21 de Setembro

Calendário Sulista: 21 de Março

Questões foco: Eu pratico o que acredito em essência? Em que situações eu posso agir e enfrentar? Tenho meditado sobre o meu valor no mundo?

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Calan Gaeaf

Calan Gaeaf (pronuncia-se KA-LAN GA-EV) pode ser traduzido do galês como “Primeiro dia do Inverno”, considerada uma Ysbryd Nos (Noite dos Espíritos), onde os espíritos estão soltos e do qual deve se evitar nas suas vésperas os cemitérios, encruzilhadas e colinas, lugares mais propensos para reuniões de espíritos que podem sequestrar os vivos. Outro costume é o Coelcerth, do qual consiste em fazer uma grande fogueira e cercar com pedras, dos quais as pessoas escreviam seus nomes. Se alguma pedra faltasse pela manhã, significava uma morte próxima. É também uma data onde podem ser avistadas as Hags, bruxas poderosas e míticas. Em algumas regiões os costureiros e alfaiates são associados à feitiçaria. Uma data também voltada às profecias, pela tradição do Eiddiorwg Dalen, do qual se colhem folhas de Hera para ter sonhos proféticos. Um dos espíritos mais temidos é a porca preta Yr Hwch Ddu Gwta, que sequestrava e devorava as almas das crianças. O Twco Fala é um jogo ou brincadeira feita nessa época do ano, consistindo em uma bacia contendo maçãs, onde o participante tem as mãos amarradas e usa a boca e os dentes para capturar uma maçã flutuante.

Fyd: Awyr

Época: Thro y Dylluan

Correspondência numérica: 4 (QUATRO)

Calendário Nortista: 01 de Novembro

Calendário Sulista: 01 de Maio

Questões foco: Quais são minhas necessidades primordiais? O que me diferencia dos outros enquanto indivíduo? Qual ação tomar perante a reclusão ou solidão?

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Alban Arthuan

O urso foi um animal amplamente reverenciado pelos povos celtas e a prova disso é que encontramos o culto a deidades como Artio e Artaius na Gália, personagens heroicas como o Rei Arthur no País de Gales e as estatuas ursinas da Catedral de Armagh, encontradas em 1840 na Irlanda. Por isso Alban Arthuan (pronuncia-se AL-BAN AR-TU-AN) significa em galês “Luz do Urso” e é uma cerimônia interligada ao Solstício de Inverno. Honra-se a força arquetípica e totêmica sagrada dos ursos – considerados um dos animais mais semelhantes aos humanos e extremamente fortes. Uma tradição pré-cristã do País de Gales desse período é a famosa Mari Lwyd. Um grupo de pessoas portando um crânio equino ricamente enfeitado com sinos, olhos falsos e tecidos coloridos vão de porta em porta recitando poemas. Os donos da casa oferecem bebida, mas o grande objetivo é não deixar a Mari Lwyd ir embora. Então iniciam uma batalha de poesias e insultos em língua galesa ou inglesa, depende da região. Outra tradição era colher ramos de Azevinho para um tipo de boxe, do qual se podia bater nos braços ou pernas. Os que mais sofriam eram os mentirosos e os dorminhocos, que levavam uma surra de Azevinho por levantar muito tarde.

Fyd: Ddaear

Época: Thro y Blodau

Correspondência numérica: 5 (CINCO)

Calendário Nortista: 21 de Dezembro

Calendário Sulista: 21 de Junho

Questões foco: Até onde vai a minha potência? Qual é o pilar que me sustenta? Onde eu posso encontrar as minhas respostas mais profundas?

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Gwyl y Canhwyllau

Gwyl y Canhwyllau (pronuncia-se GU-IL I KÁN-WIE-SHAI) significa em galês “Festival/Feriado das Velas” ou “Candelária”. É uma festa que comemora o inicio do desabrochar das flores e da renovação do poder da luz na natureza. Por isso, no País de Gales se fazem bênçãos às velas, cerimônias de vigília e procissões, práticas pagãs que se misturaram as cristãs. Na Irlanda é conhecido como Imbolc/Oilmec, um ritual relacionado à lactação das ovelhas, a deusa Brigit e a Santa Brigit de Kildare. É também um período propício para adivinhações, principalmente as técnicas de divinação pelo fogo. Ainda mais que os costumes falam de um período de decisão, onde se envolvem pedidos e desejos de boas colheitas e bênção do gado contra as doenças. No País de Gales, as mulheres grávidas, ou as que tiveram filhos nos últimos meses ou ainda as que estão amamentando acendem velas consagradas a Virgem Maria. Outra prática comum está em acender velas nas janelas, decorar as casas com luzes e alimentar os animais antes do anoitecer. E ainda havia canções e poemas especiais para essa época, que eram cantados pela noite.

Fyd: Ddaear

Época: Thro y Blodau

Correspondência numérica: 6 (SEIS)

Calendário Nortista: 01 de Fevereiro

Calendário Sulista: 01 de Agosto

Questões foco: Existe uma luz nas minhas desconfianças e dúvidas? Quais são minhas fragilidades principais? O que faz nascer em mim o medo?

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Alban Blodyn

O ritual de Alban Blodyn (pronuncia-se AL-BAN BLO-DIN) se ajusta ao equinócio de primavera e significa “Luz da Flor”, se relacionando ao culto das damas e senhoras da primavera, do amor e da beleza, muito comuns em diversos mitos celtas. Podemos citar as divindades femininas das flores e primavera Blodeuwedd, Olwen e Creiddylad. O momento do equinócio representa o equilíbrio do poder do sol, pois está entre a energia escura do inverno e a força clara do verão. Por isso, muitas das tradições da primavera no mundo céltico giram em torno da batalha entre dois reis opostos, normalmente um jovem e um velho, pelo amor e beleza da dama da primavera. Blodeuwedd é disputada entre Llew Llaw Gyffes e Grown Pebyr. Olwen fica entre seu pai, o rei Ysbaddaden e o campeão Culhwch. E Creiddylad fica dividida entre dois guerreiros: Gwythyr ap Greidawl e Gwyn ap Nudd. As damas ou noivas da primavera são o arquétipo da transição das estações e sua decisão é importante para definir o ano.

Fyd: Ddaear

Época: Thro y Blodau

Correspondência numérica: 7 (SETE)

Calendário Nortista: 21 de Março

Calendário Sulista: 21 de Setembro

Questões foco: Eu sei planejar de forma interessante meus próximos passos? Desperto em mim uma forma de ser agradável? Como estão minhas conquistas e êxitos?

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Calan Haf

Calan Haf  (pronuncia-se KA-LAN RRA-V) é o “Primeiro dia do Verão” e assim como Calan Gaeaf, é considerado uma Ysbryd Nos (Noite dos Espíritos), uma período bom para fazer previsões, mas necessário tomar cuidado com os espíritos dos mortos. As tradições desse período giram em torno da luta entre as duas estações, o Inverno e o Verão, que disputam uma dama, que pode ser representada pela Primavera. Um guerreiro portando plantas representando o Inverno, como o Espinheiro ou Azevinho, lutava contra outro que se vestia com Salgueiro ou Bétula, encenando a batalha das estações. Outro costume é o mastro, que é trançado com fitas coloridas, chamado no País de Gales por Codi’r Fedwen ou Y Gangen Haf, normalmente feito de bétula. Também em algumas regiões se realiza o Twmpath, onde as pessoas se reúnem em um campo ou colina para realizar jogos e danças, acompanhados de músicos.

Fyd: Môr

Época: Thro y Ton

Correspondência numérica: 8 (OITO)

Calendário Nortista: 01 de Maio

Calendário Sulista: 01 de Novembro

Questões foco: Como está minha autoconfiança e poder de decisão na minha própria vida? Eu sou independente o suficiente? A que pé anda minha intuição?

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Alban Hefin

Em Alban Hefin (pronuncia-se AL-BAN E-VIN), do qual se traduz como “Luz da Praia”. Esse é o dia do ápice do poder do Sol, o dia mais longo do ano. A comemoração desse dia, em muitas localidades célticas está relacionada ao mar e as divindades que lá habitam. Os cultos à Manannán Mac Llir / Manawydan fab Llyr são realizados por diversos grupos nesse período, como também as musas das ondas, como Cliodna, Fand, Lí Ban, Niamh e mesmo Blodeuwedd. Por ser uma das esposas do senhor do mar no País de Gales, Rhiannon também pode ser cogitada para cultos. O poema Ellan Vannin, da Ilha de Man, considerada a casa de Manannán, pode nos dar um parâmetro de como o verão era bom e terno. Os mitos celtas falam de ilhas e planícies além da nona onda do mar, local para onde iremos depois dessa vida terrena. Isso também colabora do simbolismo da praia em ser um limite entre o mundo de cá e de lá, além de representar os três mundos (Terra, Céu e Mar) em confluência. Na Irlanda, o verão é uma época das fadas e Aine de Knockaine é considerada sua rainha, sendo que também foi mulher de Manannán nas lendas locais. O verão é a beleza e a incerteza do mar juntas.

Fyd: Môr

Época: Thro y Ton

Correspondência numérica: 9 (NOVE)

Calendário Nortista: 21 de Junho

Calendário Sulista: 21 de Dezembro

Questões foco: Eu consigo ser maleável e mediar situações? Tenho a probidade suficiente em meus atos? Qual o caminho para a complacência e plenitude?

Por Llewellyn Mawr fab Blodeuwedd.

Referências:

CARR-GOMM, Philip. Elementos da Tradição Druida. Tradução de Maria Alda Xavier Leoncio. Rio de Janeiro: Ediouro, 1994.

MATTHEWS, Jonh. Xamanismo Celta. Tradução de Claudio Crow Quintino. São Paulo: Hi-Brasil Editora, 2002.

ORR, Emma Restall. Princípios do Druidismo. Tradução de Ana Luiza Barbieri. São Paulo: Hi-Brasil Editora, 2002.

SHARKEY, John. Mistérios Celtas. Madrid: Edições Del Prado, 1996.

TREVELYAN, Marie. Folklore and Folk Stories of Wales. Londres: Elliot Stock 62, Paternoster Row, E.G., 1909. Acesse o PDF.

WOOD, Juliette. O Livro Celta da Vida e da Morte. Tradução de Denise C. Rocha Delela. São Paulo: Pensamento, 2011.

 

Sites acessados:

BBC Wales History – acesse aqui.

Celtocrabiion – acesse aqui.

National Museum Wales – acesse aqui.

Data Wales – acesse aqui.

National Library of Wales – acesse aqui.

Eisteddfod Genedlaethol Cymru – acesse aqui.